ESTAÇÃO MISÉRIA SP
Homem dos trilhos, tremes tanto entre traques de trens, a turba e os tortuosos trilhos. Qual poesia em seus olhos avermelhados m´embriago e não lembro ao amanhecer vindouro? O céu teto, caminho dos aviões, o trapo, a roupa saco; o traste do homem a mendigar, diz o cara a fechar o vidro do carro. Pela janela do vagão imundo vejo tudo, como cúmplice, mudo. O dono da loja a tripudiar tua passagem; pare de trescalar o que sou! Tua morada sob o teto do céu estrelado é meu café gelado sobre escrituras empoeiradas e sem gosto. Tento decifrar o indecifrável do teu rosto. Não me deixes sem poesias, pobre mendigo. Não me deixes sem barba, sem psicologia barata e minha solidão inata. Não me deixes pobre do mundo, o pior cego e o mais inútil surdo. O que te faz hirto, pobre homem morador dos trilhos? - É o frio, o som frio fino dos trilhos totalmente tranquilos. Lilith Ferreira 03/12/09
Escrito por lica às 23h50
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