Tumba da noite
Na métrica canto o espanto/ d'um santo de sangue a rezar/ os olhos pagões observam/ meu corpo em carmim chorar/ No escuro soturno clamo/ ao anjo da sorte próxima/ que a tumba da noite eterna/ receba minh'alma agora/ Poesia dedicada a A. Vicente Pietroforte - Lilith Ferreira 15/09/2009
Escrito por lica às 23h52
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ESTAÇÃO MISÉRIA SP
Homem dos trilhos, tremes tanto entre traques de trens, a turba e os tortuosos trilhos. Qual poesia em seus olhos avermelhados m´embriago e não lembro ao amanhecer vindouro? O céu teto, caminho dos aviões, o trapo, a roupa saco; o traste do homem a mendigar, diz o cara a fechar o vidro do carro. Pela janela do vagão imundo vejo tudo, como cúmplice, mudo. O dono da loja a tripudiar tua passagem; pare de trescalar o que sou! Tua morada sob o teto do céu estrelado é meu café gelado sobre escrituras empoeiradas e sem gosto. Tento decifrar o indecifrável do teu rosto. Não me deixes sem poesias, pobre mendigo. Não me deixes sem barba, sem psicologia barata e minha solidão inata. Não me deixes pobre do mundo, o pior cego e o mais inútil surdo. O que te faz hirto, pobre homem morador dos trilhos? - É o frio, o som frio fino dos trilhos totalmente tranquilos. Lilith Ferreira 03/12/09
Escrito por lica às 23h50
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Quebrando o protocolo, quero deixar aqui, nesse espaço mínimo, minha contagem regressiva para a mais esperada publicação de meu primeiro livro. Agradeço as almas que me aguentaram nesses mais de dois meses de procura e perguntas sobre a área editorial para nós "iniciantes escritores", infernizei e-mails de muitos caras e caixas postais ficaram atoladas de arcaicas cartas. Hoje fui na editora ver as últimas pendências - os desenhos que ainda serão inseridos e a formatação do livro - foi um momento mágico! As coisas estão acontecendo lentamente como um trago do mais delicioso cigarro - e está sendo um prazer imenso tragá-lo aos poucos. Assim que eu tiver minha obra em mãos, informarei a vocês se irá rolar uma "happy night" para lançamento em algum ponto glacial da Vila Madaloca. Mas para ser sincera, por minhas andadas pela Avenida Paulista, conheci um castelinho na Bela Cintra que é um sonho de consumo para noites sonâmbulas, quem sabe meu último sonho se materialize em uma boca noturna cheia de estrelas à base de um bom vinho e homens souvenirs para me deixar acordada. às vezes essa chance de achar o mundo pela fechadura da Paulicéia me faz acreditar que o trabalho remunerado, no Brasil, vale para alguma coisa... Postarei hoje algumas das coisas que escrevi nessas férias forçadas, juro que assim que eu tiver mais tempo livre postarei outros rabiscos de um Eu lírico anônimo, até hoje não sei quem é essa pessoa em mim. Aquele projeto que visa trabalhar com nossos trabalhos intelectuais não foi esquecido não. Ainda está em trâmites iniciais, vejo agora como dá trabalho montar algo assim. Aproveito para dizer que vocês serão os primeiros a saber sobre as novidades concretas.
Atenciosamente, A Autora
Escrito por lica às 20h33
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TESTA! É tão graciosa em suas linhas traçadas Dedura censura se levanta uma curva Somando-se um sorriso, torna-se engraçada A testa mostra o que pensa mesmo sendo muda Vinco cômico: uma interrogação em estado bruto Ou uma frincha com tom irônico? A surpresa se apresenta nas linhas arqueadas E horizontais filas emboladas, ao sol, Mostram-se enrugadamente incomodadas Sua mensagem subliminar é um anzol Por sua intenção extralinguística sou fisgada É a testa e suas linhas que não dão nó (Para V. P.)
Escrito por lica às 19h54
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Sintaxe do "Homo non sapiens" Sou um corpo nulo; sou sem predicados. Eu sou o vazio, um são tresloucado. Fui montado errado, sou indecifrável. Vivo no contrário, sou eu e não sou. Sou rei, Gentileza: plebeu com nobreza. Sou estilhaçado, um não observável. Sou quebra-cabeças, colcha de retalhos. Sou somente um só. Sou intransitável.
Escrito por lica às 16h55
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CAIO
Como anjo... Caio Na flor de maio de tua pele ainda com a textura da primavera, esbanjo-me com o perfume da nudez de tua tez a impregnar minha cútis e cabelos. Morre Afrodite, renasce eu, cheia de defeitos, Hera. Um rio a transbordar o ar com suspiros ondulados. Sinfonia de ventanias palavreadas ao pé do ouvido. Arrancou-me de um inferno solitário - e só meu. E a ti clamo este edílio. Teus lábios são espasmos em meus sonhos e arranhões em minhas retinas dilaceradas – um caminho que sigo no escuro; palavras, em tua boca, tocadas. Cria abaixo de meus pés um paraíso em brancos lençóis, um risco, um perigo dionisíaco, mas paro e penso... Como se fosse um anjo... Caio
Escrito por lica às 21h04
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NA ILEGALIDADE POÉTICA
Saudade é cocaína, sentimento fugaz que aos poucos me vicia; Na corrente sanguínea deleita, ao circular, em veias masoquistas. Sobre a mesa, a poesia, em linha retilínea. Cheirá-la me poetiza: inspirar... inspirar... inspirar... inspirar... inspirar... inspirar...
Escrito por lica às 22h19
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ODE AO ETERNO MALANDRO
Vida e prosa, homem arte. Trova tudo, mostra a vida. Fala a vida pelo peito. Solta o verbo, mostra a arte. Trova a arte, mostra tudo. Pelo mundo, fala o peito. Solta o peito, vida e verbo. Homem prosa, Chico Buarque.
Escrito por lica às 14h03
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Lacrimar
(Poesia dedicada a Mário de Andrade e aos contemporâneos) Rasga face feito fogo queima a fronte e marca o rosto bate o peito torna sangue É amor, um tango morto...
Escrito por lica às 14h27
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Antonius
Do profundo lago da minha mente, como um libertino, surge despido. Emerge numa imagem de cristal, como o mais belo poema escrito. Escorre por seu corpo o meu amor, toca o chão, seca e vira vestígio; sente quando sua alva pele toco? É ,em meu coração, deserto inócuo. Por que ainda não me enxerga sua quando acalmo minha mente em seu colo? Sente o calor do meu corpo morno e corre pr´outras águas intocadas. A imagem de cristal vira lua e em mim jorram lágrimas insensatas. E aqui, ao fundo do lago escuro, deixa um amor platônico oculto.
Escrito por lica às 23h55
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Valentine
Lembro ainda de suas tatuagens, cada contorno do seu branco corpo, do cheiro do orvalho na manhã límpida. Mas hoje cada lembrança é um soco que para se manter viva na mente desenha em mim seu nome diariamente. A brisa macia me leva de ti mas volta duas vezes mais intensa e aumenta mais por ti a saudade que dentro de mim se torna propensa. Saudade, ventania que me varre. É um turbilhão que me torna Sade.
Escrito por lica às 11h47
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Poemeto erótico
Tire a ball-gag da minha boca e o resto, os prendedores de bicos de seios, as cordas, nos meus pulsos, apertadas, as algemas frias nos tornozelos. Tire a saia de ferro dos meus quadris; prove o sabor da minha flor-de-lis. Faz-me despir o mais louco desejo e sentir o mais molhado suor. Faz de mim sua escrava cativa que aguenta sempre coisa pior. Escravize-me sempre em sua cama; diga em meio a sussuros que me ama.
Escrito por lica às 16h26
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Estrela
Olhe lá, elas estão, sei que estão! Não, não feche os olhos agora. Querido, crie coragem e encare; estão a nos observar lá fora. São as estrelas, são meras estrelas. Meu bem, são somente estrelas. Fale baixinho, organize o tom. Sussurre as palavras em meu ouvido, pois elas estão lá, sei que estão lá! Paradas sob um tempo não movido. Perca o tempo digital da cidade e olhe com o olhar da mocidade. Olhe lá, elas estão, sei que estão! Não, não feche os olhos agora. Querido, crie coragem e encare antes que nosso tempo vá embora. Pois são estrelas, são meras estrelas. Meu bem, são somente estrelas.
Escrito por lica às 10h23
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3º Guerra Sentimental
Tanques de guerra nas ruas, bombardeios nas esquinas. É meu ódio, meu amor. É uma dor de aspirinas. É amar paralisante que na veia se conduz. É uma arte, é guerra que já não tem sua luz. É um te querer negando, mais que tudo te querendo. Só tua falta me faz louco, isso o tempo vai moendo.
Escrito por lica às 22h00
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Mulher
Dulcílimo ser ardente, que do útero me cuidas, és pérola, diamante. Em ti, qualidades muitas que me faz seu grande amante. E meu coração pulsante por ti, somente a ti amas.
Escrito por lica às 16h15
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